DPE MG - Roda da conversaDPE MG - Roda da conversaA Defensoria Pública em parceira com o “Polos de Cidadania” – programa de extensão da Faculdade de Direito da UFMG – promoveu, no dia 07 de novembro, a Roda de Conversa para debater sobre o tema Favela. O evento contou com a presença de defensores públicos, estudantes e moradores destas comunidades.

Para discutir o assunto foram convidados os moradores Juvenal, Geraldo e Vicente, reconhecidos pela liderança dentro de suas comunidades. Em suas falas mencionaram a luta pela conquista do espaço e os problemas enfrentados com a violência, falta de infraestrutura e reconhecimento.

Os protagonistas discutiram, também, sobre o temor em assumir a identidade de favelado, tendo em vista a conotação pejorativa dada ao termo, em função da constante divulgação da favela como lar da violência e dos “bandidos”, contexto este de clara criminalização da pobreza.

Conforme lembraram os convidados, favela é o nome popular de uma planta nativa encontrada nas encostas da Bahia. “O termo surgiu quando soldados cariocas, ao retornarem para o Rio de Janeiro após a Guerra dos Canudos, deixaram de receber o soldo e foram obrigados a se instalarem em construções provisórias no Morro da Providência, que passou, então, a ser conhecido como Morro da Favela”, explicaram.

De acordo com a avaliação da defensora pública Cleide Aparecida Nepomuceno, coordenadora da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais e organizadora da Roda de Conversa, ainda há uma estigmatização do morador de favela, comparado ao marginal ou delinquente “Esta discussão representa importante ato de resistência ao dar visibilidade e protagonismo às lutas e desafios daqueles que vivem o cotidiano das favelas”, explicou.

Outro tema abordado foi o estereótipo criado acerca da favela e dos seus moradores: a idealização, a visão romântica de que são pessoas alegres e unidas, que amam e se orgulham do lugar em que vivem, mesmo passando por muitas dificuldades. De acordo com eles, essa ideia, consumida massivamente pela sociedade principalmente por meio das novelas de televisão, acaba por gerar uma cristalização da posição social destas pessoas, pois, se tão contentes estão com a própria vida, não faz sentido quererem ascender socialmente ou usufruir os mesmos direitos que moradores de outras áreas das cidades.

“A Roda de Conversa foi realizada na data em que se comemora o dia estadual da Favela – disse a defensora pública Cleide Nepomuceno – o que nos faz questionar se há algo a ser comemorado, pois, se de um lado está a iniciativa, organização e coragem dos moradores em construir o seu próprio espaço em contraponto à inércia do Estado e a marginalização imposta pela sociedade, por outro lado existem uma gama de problemas a serem enfrentados”.

Sobre a realização do evento, Cleide Nepomuceno disse que sua realização buscou apresentar, por meio de uma conversa descontraída, conhecer a realidade da favela sob o olhar dos convidados para que, a partir desta realidade a Defensoria Pública possa ser agente de transformação social. “A Defensoria Pública rende homenagens aos moradores das favelas e procura atender seja pelas mais diversas demandas individuais, como pelas demandas coletivas de acompanhamento da política urbana e de intervenções ou reivindicações de posse coletiva, entre outras.

Para os integrantes do Polos da Cidadania as discussões são de extrema relevância para o programa, pois trazem conhecimentos daqueles que, de fato, conhecem a realidade da favela. “Muito se fala no ambiente acadêmico da criminalização da pobreza, mas na perspectiva do ensino e da pesquisa a barreira entre esse conhecimento e a realidade raramente se rompem. A riqueza desta conversa está em ter o morador da favela como protagonista e extrair dele o conhecimento, o saber, a experiência e ainda possibilitar a construção de outras narrativas. Não é a universidade falando sobre as vidas dos moradores de uma favela, mas eles falando por si próprios, com a voz que muitas vezes lhes é silenciada”.

De acordo com a coordenação, quando se pretende lidar com uma determinada realidade, há que se respeitá-la em sua autonomia e peculiaridade, ouvindo sua voz e sua história. “Trabalhar em uma favela, exige, antes de tudo, o reconhecimento daquele local e daquelas pessoas enquanto iguais e dotadas de vivências por nós desconhecidas, que demandam respeito e cuidado. A oportunidade de ter um diálogo horizontal com pessoas que vivenciam cotidianamente a luta pela moradia digna, a luta contra o racismo, contra a marginalização e criminalização da pobreza, dentre outras muitas, é uma forma também de combater os perniciosos estereótipos que são criados acerca do ambiente da favela e seus moradores”.

Clique aqui para ler a entrevista do morador Vicente.
http://www.brasildefato.com.br/node/28141

Fonte: Ascom/DPMG

 

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